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SANGUE DE TODAS AS CORES

SANGUE DE TODAS AS CORES

SANGUE DE TODAS AS CORES. category: past

O Sangue de todas as cores - África em nós 

Mãe! Minha Mãe África,

das canções escravas ao luar,

Não posso, NÃO POSSO renegar

o Sangue negro, o sangue bárbaro

que me legaste...

Porque em mim, em minha alma, em meus nervos, ele é mais

[forte que tudo!

Eu vivo, eu sofro, eu rio

através dele,

MÃE!

 

“excerto de Sangue Negro de Noémia de Sousa”

 

SINOPSE

 

O poema Sangue Negro, de Noémia de Sousa, é nosso ponto de partida. A autora fala de um despertar do seu sangue negro que nos estimulou a sensibilidade. Ele levanta-se do medo de falar. Instiga-nos a não ter medo de expressar o que sentimos e quem somos. É preciso contribuir mais e mais para mudar um sistema que se baseia num poder discriminador que se enraíza na cor da pele e se estende ao sangue, essa herança que a nossa Mãe natureza — no caso dela a Mãe África nos legou. Este pensamento branco tem vindo a legitimar a violência com base num sistema económico que justifica de forma insidiosa comportamentos. Somos levados a acreditar que as instituições e os sistemas políticos nos servem e que nos dão mais liberdade. É óbvio que sentimos hoje que isso não é verdade. Por isso intervir é um gesto político. Como de forma igual não intervir também é um gesto político. E é isso que somos atirados para fazer: não falar; não mover vontades; não dançar. É fundamental para a sobrevivência e para a transformação de um futuro reimaginado agir artisticamente. Não podemos renegar o nosso sangue bárbaro, pois nele estão contidas todas as possibilidades, todas as cores. Todas as cores não significa que acreditamos que somos todos iguais ou que teremos de ser e agir de forma similar. Significa acreditar no potencial e dar espaço ao sonho e às possibilidades de a vida se manifestar em todas os seus sentidos. As que existiram antes do período colonial e as que se podem imaginar para um futuro que desmantele as estruturas de dominação que estão incrustadas nos nossos gestos e formas de pensar. Como nos diz Noémia de Sousa:

 

Como se eu pudesse viver assim,

desta maneira, eternamente,

ignorando a carícia fraternamente morna

do teu luar ...Meu princípio e meu fim ...

 

Não podemos continuar a viver assim. Adormecidos e esmagados por um poder que nos reduz e separa. Despertar é preciso para reconhecer que estamos muito longe de uma sociedade que promova a igualdade de oportunidades. Como seres humanos estamos a deixar acontecer coisas terríveis que se passam com os nossos vizinhos, com os nossos amigos, com os outros do outro lado da estrada ou para la dos muros. Pedem-nos que sejamos insensíveis para a violência que está a ser perpetrada. Toda a violência diz-nos respeito e devemos envolver-nos e combater o medo que nos leva a não agir. A mudança é possível se formos milhões. São preciso milhões de pessoas para mudar o sistema. O projecto Sangue de Todas as Cores é um grito poético. Falaremos do sangue, suor e lágrimas de seres humanos ao longo da história, traduzindo a resiliência das lutas partilhadas pelos negros de todo mundo. Agir artisticamente sobre o pensamento branco e a negritude é urgente como experiência global. Com este projecto pretendemos realçar esta universalidade e, honrar as perspectivas sem-par de artistas angolanos, moçambicanos brasileiros e portugueses. O título é aberto, permitindo múltiplas interpretações. Alguns poderão vê-lo como um apelo à unidade, outros como uma celebração da diversidade, e outros ainda como uma recordação de lutas, derrotas e triunfos. Esta riqueza de significados que o título apresenta funciona como uma imagem de um corpo social de um futuro reimaginado. A arte tem em si potenciais de transformação e é um campo instrumental de abertura do diálogo que engloba processos que cruzam a teoria e a prática. A arte conjuga as polaridades consciência e inconsciente que nos permitem reinventar e recuperar a nossa humanidade. A arte é um instrumento de intervenção social que tem um potencial de proposição de leituras e abertura de caminhos para enfrentar a crise em vivemos. Este é um projecto inclusivo que parte do sangue negro de que nos fala Noémia de Sousa para abrir pontes entre um sangue “bárbaro” e um sangue que contenha a utópica potência de ser “de todas as cores”.

Direção Artística & Texto João Garcia Miguel 
InterpretesEdmundo Sardinha, José Trassi, Leo Emílio, Mai Júli Machado, Preta Ferreira, Ramadane Matusse
Assist. do Diretor ArtísticoAdemir Emboava
Figurinista Roselyn Silva 
Produção Janice Mayomona
Produção Técnica Gonçalo Lobato, Clemence Peytoureau
Direção Executiva Suzana Durão 
Finança & ContabilidadeIrene Gaspar
Comunicação & Design Gráfico Natacha Ventura
Comunicação Digital Miguel Durão Hilário 
Fotografia Bruno Saavedra, Janice Mayomona, Natacha Ventura
Vídeo Bruno Canas 
Costureira D.ª Teresa 
Financiamento & Apoio Répública Portuguesa, DGARTES
Digressão Áfica Moçambique - FITI - Festival Internacional de Teatro de Inverno e Ass. Utopia - 1-21 de junho de 2025; Angola - Festeca - Festival Internacional de Teatro do Cazenga - 26 de junho a 12 de julho de 2025; África do Sul - PACE - Pan Africa Creative Exchange - 9-13 de julho de 2025 - 

    Direção Artística & Texto João Garcia Miguel
    Assist. do Diretor Artístico Ademir Emboava
    Edmundo Sardinha Ator
    José Trassi Ator
    Leo Emílio Ator
    Mai Júli Machado Atriz
    Preta Ferreira Atriz
    Ramadane Matusse Ator
    Produção Janice Mayomona
    Produção Técnica Gonçalo Lobato, Clemence Peytoureau
    Figurinista Roselyn Silva
    Costureira D.ª Teresa
    Comunicação & Design Gráfico Natacha Ventura
    Comunicação Digital Miguel Durão Hilário
    Fotografia Bruno Saavedra, Janice Mayomona, Natacha Ventura
    Vídeo Bruno Canas
    Direção Executiva Suzana Durão
    Finança & Contabilidade Irene Gaspar
    Financiamento & Apoio República Portuguesa, DGARTES
    DATAS
    Moçambique - FITI
    Festival Internacional de Teatro de Inverno e Ass. Utopia
    1–21 de junho de 2025
    Angola - Festeca
    Festival Internacional de Teatro do Cazenga
    26 de junho a 12 de julho de 2025
    África do Sul - PACE
    Pan Africa Creative Exchange
    9–13 de julho de 2025

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