Descobridores do Amor
'Voltei a sonhar com uma história de viagens, de um carro que se avaria, se conserta e tem de continuar o seu caminho, entre direcções proibidas, pessoas desconhecidas que ajudam a levá-lo mais longe, muito para além de onde podem chegar os passos que nos levam, procurando as terras
'Voltei a sonhar com uma história de viagens, de um carro que se avaria, se conserta e tem de continuar o seu caminho, entre direcções proibidas, pessoas desconhecidas que ajudam a levá-lo mais longe, muito para além de onde podem chegar os passos que nos levam, procurando as terras da imaginação e do desconhecido, evitando os buracos da estrada e as pessoas que nos mandam parar e fecham portas. Um sonho em que no final, depois de muita truculência, o carro consegue finalmente chegar a um imenso portão que se abre e deixa ver edifícios, sol, poeira, mar e a liberdade a chamar-nos. Uma estrada para a ilha dos amores. A ideia de uma ilha dos amores é o título da nona parte dos Lusíadas e sempre desempenhou um papel mítico entre nós. Quis pegar na vida de Camões e fazer um espetáculo sobre o amor e o mundo. O título refere-se ao português buscador, um português universal, um descobridor de mundos. Será sem dúvida uma peça sobre os Lusiadas, os poemas, a vida de Camões. Entre um Deus Desconhecido, um Zeus, um Marte e uma Vénus, e os humanos que os roubam e com eles partilham o mundo. Um poeta, portanto, um explorador de mundos distantes, um rei louco e visionário, um viajante, um português. Queremos construir algo que seja do tempo, que seja maior do que nós'
— João Garcia Miguel