Sinopse

Numa propriedade rural, moram o professor aposentado Serebryakov; sua jovem e linda esposa, Helena; sua filha Sónia; a mãe da falecida esposa, Marya; e o irmão da falecida, Ivan, conhecido na família como tio Vânia.

 

Serebryakov, líder da família, agora velho, hipocondríaco e rabugento, só  chateia e persegue os familiares que, sem alternativa acabam por ter de o suportar.

A peça começa com a visita do médico Astrov. Sônia é quem mais gosta da visita, pois alimenta uma paixão secreta pelo doutor.  Astrov é amargo, pessimista. Trabalha demais e o convívio com doenças e gente infeliz acabaram por torná-lo depressivo. 

Solteirão, Astrov desperta o instinto protetor, maternal de Sônia, mas, infelizmente, ele não se sente atraído por ela e sim pela belíssima e jovem Helena, esposa de Serebryakov. 

O Tio Vânia trabalha como um louco para manter a fazenda e sente-se explorado pelo professor. Também questiona o poder do velho sobre a família. Principalmente, Vânia inveja o casamento do velho, pois, há dez anos, é louco de amor por Helena. 

Helena, objeto do amor de Vãnia e Astrov, casou-se com Serebryakov por amor. Admirava o talento e a inteligência do velho. Mas, com o passar do tempo, ela percebeu, assim como Vânia, que a promessa de grande literato era apenas uma mentira. Conformada com sua situação, Helena acomodou-se, mas tornou-se fria, apática, desmotivada. 

Serebryakov, descontente com a vida na fazenda e sem vontade de viver na cidade grande, sugere que vendam a propriedade, invistam a maior parte do dinheiro, e comprem um pequeno sítio na Finlândia. O plano é recebido com horror, principalmente por Vânia. Ele lutou durante vinte e cinco anos para tornar aquela fazenda lucrativa. Além disso, as terras foram deixadas por sua irmã e, portanto, devem ser herdadas por sua querida sobrinha Sônia. 

A estética da perfeição parece ser a metáfora idealizada por Tchékhov para afirmar que o preço que se paga pelo sucesso da aparência é a capacidade de alguns homens perceberem que algo ficou para trás em suas vidas e que, realisticamente, já não é mais possível recuperar aquilo que foi desprestigiado pela própria concepção atribuída à beleza.