NUMA MANHÃ DE NEVOEIRO
As visões proféticas de Gonçalo Annes Bandarra, Padre António Vieira, Fernando Pessoa e Agostinho da Silva servem de base a um espetáculo por onde passam os espetros de D. Sebastião, do Quinto Império e outros desígnios messiânicos. A ideia da criação de um Quinto Império, resgatador da alma portuguesa e
As visões proféticas de Gonçalo Annes Bandarra, Padre António Vieira, Fernando Pessoa e Agostinho da Silva servem de base a um espetáculo por onde passam os espetros de D. Sebastião, do Quinto Império e outros desígnios messiânicos. A ideia da criação de um Quinto Império, resgatador da alma portuguesa e inspirador de um desígnio divino universalista com epicentro em Portugal, não é original do Padre Vieira. Desde a primeira metade do século XVI, que se acreditava piamente no regresso do Encoberto, que viria cumprir esse desígnio glorioso que Deus outorgara a Portugal. Uma crença coletiva, inicialmente sebastianista, que tendo como base as “Trovas” de Gonçalo Annes Bandarra permaneceu no imaginário coletivo ressurgindo em Fernando Pessoa na “Mensagem”, e em Agostinho da Silva, de um sentir português muito próprio, capaz de abrir novos mundos ao mundo. Se há uma “alma” portuguesa, identitária é no diálogo entre estes autores que a podemos reencontrar.