MARIA COROADA
“A raiz vale mais do que o tronco e do que os ramos da árvore. E o ramo da árvore é o rei, o tronco são os fidalgos e a raiz é o povo. Logo o povo é mais que o rei”. Este é, em suma, o manifesto político e
“A raiz vale mais do que o tronco e do que os ramos da árvore. E o ramo da árvore é o rei, o tronco são os fidalgos e a raiz é o povo. Logo o povo é mais que o rei”. Este é, em suma, o manifesto político e social de uma inaudita seita sebastianista que irrompeu numa ínfima aldeia duriense, Granja do Tedo, concelho de Tabuaço, logo após a Guerra Civil Portuguesa, nos finais da primeira metade do século XIX. Por mais radicais que fossem as posições da ideologia liberal vencedora do conflito armado que devastou Portugal, nem de perto nem de longe se aproximavam desta disjunção revolucionária que atacou em toda a linha o poder e a sociedade da época. A valorização da imagem da mulher, o apelo ao nudismo e ao naturalismo, a solidariedade com os pobres e os desvalidos ou o incremento do ensino gratuito eram apenas algumas das reivindicações “ultramodernas” do movimento liderado por Maria Coroada.