Skip to content

MADE IN EDEN

A velocidade tornou-se uma obsessão. Sinto no entanto os seus efeitos como um desafio, um sabor que se espraia pelo corpo lentamente, como um animal que se espreguiça por dentro de outro animal. Um ocupante desejado e estranho em simultâneo, que se desdobra continuamente e pronuncia um monologo incessante. Vozes

A velocidade tornou-se uma obsessão. Sinto no entanto os seus efeitos como um desafio, um sabor que se espraia pelo corpo lentamente, como um animal que se espreguiça por dentro de outro animal. Um ocupante desejado e estranho em simultâneo, que se desdobra continuamente e pronuncia um monologo incessante. Vozes soltas à solta dentro de um corpo. Vozes desordem que lutam por uma sombra, por uma parede onde ecoar. Aos poucos outros ocupantes vão perdendo o medo levantam-se dos escombros sacodem o pó e falam a medo primeiro, com alegria depois, a surpresa de estarem vivos a que se sucede o desejo infantil de tudo experimentar, de tudo querer, de tudo destruir. As pedras substituem as palavras e os risos são facas e carícias, cortam e chocam, deixam passar a corrente, golfadas pequenas, pontapés e pêlos eriçados. A Guerra começou aonde?

 

O caminho que se percorre está feito e pode sempre voltar a fazer-se de novo, tantas vezes quantas a memória permitir, até que o próprio caminho se apaga e afinal já não é mais aquele caminho que um dia percorremos. Nesse momento sofremos o peso de uma revelação inesperada que nos atira ao ar e perdemos as imagens mais queridas, aquelas que despertam com um toque na alma, com um toque por debaixo da pele. Perdemos tudo o que tínhamos, perdemos o sangue e a corrente eléctrica que nos anima as noites e nos ilumina o caminho. A Guerra acabou de começar algures, já lhe sinto o tremor!

 

Criámos um mundo onde as portas só fecham e nunca se podem abrir. É um mundo avariado onde as televisões avariadas e sem sinal descansam ternamente deitadas ao colo de sofás paraplégicos, mutilados de guerra aleijados sem pernas. As pedras voam por cima das nossas cabeças e as portas deixaram de abrir e só se fecham para que quando a desgraça bata à porta esta não possa entrar. Foi um segredo que me ajudou a criar este mundo, um mundo avariado. Um aviso-segredo que soou por dentro de uma televisão esquecida. A Guerra faz com que o braço se separe do corpo e que se escrevam poemas, cartas de amor e que tudo faça sentido?

Encenação e Dramaturgia João Garcia Miguel
Textos a partir de “Estilhaços” de Adolfo Luxúria Canibal
Coaching Miguel Moreira
Apoio artístico João Brites
Interpretação Luís Guerra e Sara de Castro
Música ao vivo Sérgio Martins e Rui Lima
Cenografia Mantos e Pedro Santos
Execução de Adereços Jorge Sacadura e Alexandra Sobral
Figurinos Miguel Moreira
Colaboração no Desenho de Luz João Cachulo
Operação de Luz e Vídeo Luís Bombico
Edição de Vídeo (Aviso) Edgar Alberto
Caracterização Jorge Bragada
Grafismo e Animação Sofia Pimentão
Web Design Mantos
Apoio Técnico Heitor Alves
Gravação e edição DVD Jaime Gonçalves
Produção Executiva Marta Vieira
Agenciamento CAMPAI vzw | Bruno Heynderickx | www.campai.be
Coprodução JGM, Útero, O Bando e O Espaço do Tempo
Apoios Teatro da Politécnica, Teatro Nacional D. Maria II, Casa D’Os Dias da Água, Câmara Municipal de Lisboa
Residência Artística Convento da Saudação (Montemor-o-Novo); João Garcia Miguel é artista associado de O Espaço do Tempo e companhia residente da Casa D’Os Dias da Água
Estrutura Financiada por Ministério da Cultura / DGARTES e Fundação Calouste Gulbenkian
Agradecimentos Adolfo Luxúria Canibal, Alberto Lopes, Alexandre Coelho, Ana Borralho, Ana Fazenda, Carina Costa, David Lopes, Eugénia Vasques, João Galante, Laura Lamas, Ligações, Luísa Lopes, O Espaço do Tempo (toda a equipa), Patrícia Leal, Pedro Núñez, Raquel Matos, Sandra Marques, Sofia Valadas, Tânia Gustavo