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HISTÓRIA DO COCO

O projecto História de um Coco nasce da vontade de trabalhar em conjunto a partir de material onírico, da análise e recolha de sonhos. Este ponto de partida levou a uma teia de relações e conversas que baixaram um entendimento sobre os artistas envolvidos. É como se tivéssemos entrado nos

O projecto História de um Coco nasce da vontade de trabalhar em conjunto a partir de material onírico, da análise e recolha de sonhos. Este ponto de partida levou a uma teia de relações e conversas que baixaram um entendimento sobre os artistas envolvidos. É como se tivéssemos entrado nos sonhos uns dos outros há alguns meses e através dessa primeira presença se fosse adensando o estranho mundo de uma mitologia de uma história inicial. Às 12:41, do dia 24 de Março de 2023 ela disse: “– Olá João! Tenho sonhos vívidos e cheios de sensações. Desde que nos conhecemos estou observando sua presença em meus sonhos. Ontem vi o seu rosto.” Nesse mesmo dia, duas horas mais tarde, a resposta voou: “– E que tal foi esse sonho? Sinto-me curioso e fiquei aqui suspenso a viajar por dentro dos meus sonhos à procura da tua presença.” A conversa continuou dois dias depois às 12:38: “– Eu acredito que um aspecto desse sonho diga respeito ao desejo e ao tempo. No sonho, seu rosto não tinha nenhuma tensão que não fosse as que sustentam o sorriso que estava se abrindo. Acordei com a sensação de ter ido te visitar. Achei que era o momento de voltarmos a falar.” A resposta chegou apenas no dia seguinte: “– Sim claro, vamos falar. Estes sonhos e trocas de presenças juntam-se à história de base que colhemos de um episódio mitológico acerca das origens do mundo e de como a natureza se oferece para ser alimento e base de sobrevivência. Será, ainda, utilizado um conjunto de pesquisas acerca de cantos antigos, cujas raízes são de matriz africana e que têm como função a conexão com o onirismo e o simbólico.

"O espaço cénico seguirá a investigação da relação dos desenhos simbólicos informados nos sonhos e nos mitos.
Partimos de uma ideia de construção de uma árvore. 
Da semente ao fruto, à sua sombra e a ela encostados a cenografia parte desse elemento vegetal muito antigo: uma árvore. Uma palmeira. Um coqueiro."

Um conto sobre como a Humanidade aprendeu a ter menos medo do mundo ao seu redor e a confiar na natureza como fonte de alimento, sobrevivência e vida. Esta é uma viagem ao passado através de uma história que foi transitando de versão oral até se consolidar na escrita. Fala-nos de Maui, herói trapaceiro da Polinésia reconhecido pelas suas façanhas mágicas: o laçar do sol para atrasar a sua passagem ou o elevar do céu para dar mais espaço aos seus amigos na terra. A mulher de Maui - e heroína da história - é Hina, beleza apaixonada e sem pudor que pode ser vista até hoje nas marcas da lua. Nesta criação, a natureza surge como uma entidade generosa, com o feminino realçado como mote para a sua melhor compreensão. Uma condição coletiva que oscila entre os poderes ocultos da natureza e a sua sublimação através de actos heroicos, artísticos e ocasionais - e de como eles podem ser conjugados em prol de algo maior é muito significativo para o nosso tempo contemporâneo. Tal como a natureza fala à Humanidade através de sonhos - proporcionando ideias e caminhos para a vida - os protagonistas desta criação também falam uns com os outros em sonhos. Acreditando no poder transformador das histórias, esta obra insere-se num movimento de pesquisa de fontes mitológicas que tragam à luz do contemporâneo os tempos em que deuses, plantas e homens se cruzavam interiormente em busca de um mundo onde a consciência pudesse emergir e levar-nos a encontrar soluções de sobrevivência colectiva. Juntando-lhe sonhos e considerações contemporâneas, provocamos uma tensão entre diversos tempos para encontrar uma forma arquetípica que vai desde a Polinésia à América do Sul, de África à Europa. Como dizia Terence Mckenna: “Agora a nossa escolha como cultura planetária é simples: mudar para o verde ou morrer.” Um cruzamento de diferentes disciplinas - a música, o teatro, as acrobacias, a palavra e o corpo - que vão ilustrar manifestações rituais e as suas transformações em expressões religiosas e artísticas.

Texto, Direção e Espaço Cénico João Garcia Miguel
Assistência de Encenação Gustavo Antunes
Criação Companhia João Garcia Miguel
Intérpretes Gustavo Antunes
Artista Convidada Soraia Tavares
Composição Musical Sérgio Pererê
Direção Técnica Gonçalo Lobato
Produção Técnica Clemence Peytoureau
Figurinos Rute Osório de Castro
Costureira Teresa Matos
Ilustração João Garcia Miguel
Fotografia Mario Rainha Campos
Registo Vídeo Bruno Canas
Direção Executiva Suzana Durão
Assistência de Produção Miguel Durão Hilário
Gestão Financeira Rui Pedro Silva
Acessibilidade e Inclusão Cintya Florianni
Investigador Associado Paulo Barriga
Estrutura Financiada por República Portuguesa – DGARTES
Parceiros estratégicos Museu Nacional do Teatro e da Dança, Teatro Aveirense, Câmara Municipal de Aveiro, Teatro José Lúcio da Silva, Município de Torres Novas
Parceiros de Comunicação Antena 2, Gerador, Performart
Associado Performart