ESPECIAL NADA l ORAÇÃO DA CARNE l COM AS TRIPAS AO SOL
Sinto a escrita como um gesto interior que ao passar para fora — para o mundo partilhado — semelhante a colocar as tripas ao sol, ou talvez melhor seja dizer, quando escrevo faço das tripas coração. Ou, neste caso, construo uma oração da carne. Ou talvez seja apenas um gesto especial que
Sinto a escrita como um gesto interior que ao passar para fora — para o mundo partilhado — semelhante a colocar as tripas ao sol, ou talvez melhor seja dizer, quando escrevo faço das tripas coração. Ou, neste caso, construo uma oração da carne. Ou talvez seja apenas um gesto especial que é nada, afinal. Um engano maravilhoso do coração levado pela cabeça. O que há de doloroso e temível nesse ponto estranho e intraduzível que se chama coração? Ou pulmão, espinha dorsal ou luzes instantâneas por detrás dos olhos? São todos pontos espalhados naquilo que inegavelmente chamamos de forma obscura: o corpo. E que ligam, à luz dos dias, o que está no fundo ao que passa para cima. Os intestinos à boca, o coração à mão.