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A ENTREGA

A peça fala de chaves. De homens e mulheres que funcionam como chaves, para a vida, para o amor, para um poema e para a morte. Fala da construção de um homem pequenino que servirá de chave para que outros homens e mulheres possam entrar num outro nível da realidade.

A peça fala de chaves. De homens e mulheres que funcionam como chaves, para a vida, para o amor, para um poema e para a morte. Fala da construção de um homem pequenino que servirá de chave para que outros homens e mulheres possam entrar num outro nível da realidade. Sonham-no, constroem-no, dão-lhe um corpo e uma vida que ele acaba por recusar ou da qual se retira imperceptivelmente. Acontecem coisas que não têm explicação natural. 

As personagens da peça vivem num universo onde as coisas que fazem não estão bem, mas sim mal. É um armário que parece querer cair em cima de dele, um pai que cospe sem querer na filha, uma cama que os atira ao chão, mãos de onde saem palavras que compreendemos, mas não conhecemos. É um mundo onde as pessoas se encontram e se aceitam, de um modo que não é suposto, e onde tudo é consequência, pois estas antecipam as causas. 

Nesse mundo, no mundo do erro e da falha, em que o que se diz e se faz não procura, nem tem explicação, está-se sempre em queda lenta e vertiginosa, porque se tem duas cabeças. É por aqui que o vento entra e desloca a cabeça das estátuas, em que a areia se desfaz e destapa os restos de um tempo que já existiu, num passado qualquer, mais ou menos longínquo e que regressa agora outra vez. 

O que é a vida? Matar dragões, libertar princesas e derrotar lobisomens! É isso que é a vida? 

Aqui neste mundo somos todos hipersensíveis. Somos pessoas que apanham tudo o que alguém perdeu e não se deixa escapar nada. Tudo tem tanto sentido que estarmos ou começarmos em qualquer lado é sempre indiferente. Tudo parece lógico desde que esteja ou seja exterior a nós e há permanentemente um autocarro cheio de mensagens a chegar.

Autor João Garcia Miguel e Luís Vieira
Encenação João Garcia Miguel
Assistência de Encenação Tiago Matias
Interpretação Anabela Teixeira, Cristina Basílio, Luciano Amarelo, Nuno Correia Pinto
Cenografia MANTOS
Costumes Carlos Coxo
Sonoplastia, Desenho de Luz e Imagem Gráfica André Rabaça
Operação de Luz e Som André Rabaça
Direção Técnica e Montagem Nuno Correia Pinto
Montagem André Rabaça e Pedro Tomé
Direção de Produção Maria João Fontaínhas
Produção Executiva Catarina Neves Dias e Marta Vieira
Secretariado de Produção Cláudia Gomes e Laurinda Andrade
Bilheteira Paula Malhado
Limpeza Graça Branco
Fotografia André Rabaça e João Garcia Miguel

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